Sem palavras

Antes do Ramadã, o jejum sagrado para os islâmicos, aconteceu um fato interessante na minha classe do 3o. ano. De dois em dois meses os alunos, todos muçulmanos, vão à igreja em um sábado e lá eles podem cantar, aprender versículos e ouvir histórias bíblicas. Eles gostam muito, porque também é uma forma de sair dos campos de refugiados.

 

Um dia eu estava copiando no quadro e as meninas começaram a cantar uma música sobre Jesus. Fique admirada, mas não falei nada porque foram eles que começaram. De repente uma aluna falou: “Iessua” (Jesus) é o profeta “Aissa” (do Alcorão) que morreu na madeira! Confesso que não sabia o que fazer, porque não podemos falar sobre o Evangelho na escola.

 

Comecei a orar e continuei escrevendo. Então uma outra aluna perguntou: “É verdade, professora? Ele morreu assim? Por quê?”.  Parei de escrever, virei-me e disse, “Sim! Jesus morreu numa cruz (abri meus braços)”. Ela falou com um rosto muito triste: “Coitado! Por quê?”.

 

Na mesma hora pedi licença, corri e fui chamar uma irmã da igreja que trabalha na escola e ela explicou sobre a morte de Jesus em poucos minutos. Eles prestaram muita atenção e, no outro sábado, todos foram ao passeio na igreja.

 

Nós oramos para que a mensagem de Jesus falada, cantada ou até mesmo sem palavras germine nesses corações tão sofridos pela guerra.

 

missionária Ana Thaís – Oriente Médio