Que baita recepção!

Ainda durante o período de adaptação num país do Norte da África, fui convidado por um missionário brasileiro à uma reunião da liderança da Igreja Sofredora daquele país, quando seríamos apresentados àquelas pessoas. Estávamos bem apreensivos, e ao mesmo tempo muito contentes com aquela oportunidade de viver na pele aquilo que só tínhamos lido em biografias missionárias em nosso tempo de preparação em nossa igreja, e também no centro de treinamento missionário.

 

Encontrei-me com o missionário brasileiro que vivia no país há mais de uma década, e seguimos juntos para aquele encontro. Chegamos a uma casa em uma cidade não muito longe da capital, porém com características de cidade de interior. Entramos na casa e os irmãos já estavam reunidos. Havia líderes (homens e mulheres) do próprio país e também uma irmã dedicada ao ministério de louvor, originária de um país vizinho (país o qual é tido como inimigo). Foi quando aprendi a primeira lição naquele dia: ao lado de Cristo não há barreiras geográficas, ideológicas e nem políticas. O sangue dele promove a unidade. 

 

Meu árabe mais forte sempre foi o falado na região do Levante do Oriente Médio, mas arrisquei algumas expressões que já estavam sendo introduzidas por meu professor da variação do árabe daquele país. Em alguns momentos na conversa tive que usar tradutores, mas era nítido para eles minha alegria de estar ali perto de verdadeiros valentes do Senhor que pagam diariamente o preço por seguirem o Mestre Jesus.

 

Houve um tempo de louvor quando ouvi pela primeira vez as músicas produzidas por aquelas próprias comunidades locais. Tudo muito organizado, até um livrinho com as canções compostas por eles ganhei de presente, juntamente com um CD. Também passamos vários minutos em oração e um líder trouxe uma palavra de esperança, amor e fé. Parecia que já estávamos no céu.

  

Após a ministração da Palavra, compartilhei com eles sobre como chegamos até aquele país, e quais eram nossas intenções em estarmos ali reunidos com eles. Deixei bem claro que não poderíamos iniciar nada no país antes de ouvir da Igreja Nacional e seus líderes quais eram suas principais necessidades.  

 

Foi quando veio a surpresa. Uma das líderes, uma senhora já com seus 60 anos de idade, pediu a palavra, elogiou nossa postura de busca-los primeiro antes de realizar algo no país, disse que fizemos uso da sabedoria de Salomão e declarou de maneira bem enfática que nossa decisão seria honrada, e que veríamos maravilhas naquele país por assumirmos aquela postura. Ao final, ela mesma quis orar por nós entregando nosso futuro naquelas terras. Lembro como se fosse hoje, que ao sair daquele encontro me dirigi ao amigo missionário que me introduziu àquela amada Igreja Nacional e lhe disse: “Que baita recepção!”.

 

 

Caleb Mubarak

missionário no Mundo Árabe