VOZ DOS QUE SOFREM

Yazídi Refugiada - JMM
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 Eu sou Lea, e durante cerca de 1 ano vivi dias de muito terror. Tudo porque pertenço a uma minoria étnico-religiosa que vive no norte do Iraque. Eu sou uma yazidi.

 

Era um dia frio e de muito trabalho em minha comunidade, quando soldados islâmicos nos atacaram. Meus irmãos se recusaram a se converter ao islamismo e foram mortos sem piedade alguma.

 

Eu e outras centenas de moças fomos sequestradas por estes animais. Durante duas semanas eles nos torturaram e nos ameaçaram de morte. Depois, veio a pior fase. Eles nos tomaram como escravas sexuais. Todo o terror que sofri me fez desejar ter morrido com meus irmãos. Diariamente, pelo menos 10 combatentes abusavam sexualmente de mim. Virei um trapo, sendo passada de mão em mão, de jihadista em jihadista, até que engravidei. Após muito sofrimento, consegui fugir. Mas a minha esperança de acabar com aquele pesadelo se foi quando novamente fui capturada.

 

Grávida e com medo de sofrer novos abusos, menti dizendo que me tornaria uma muçulmana. Só assim as violações pararam. Tive meu filho no cativeiro. Confesso que não aprendi a amá-lo como uma mãe costuma amar seus filhos. Três meses depois, consegui contato com um tio e planejamos minha fuga. Um vizinho nos ajudou e eu escapei, deixando meu bebê para trás.

 

De volta a minha família, me senti rejeitada. Para eles, agora não tenho mais valor algum, afinal, não tenho marido e fui abusada por dezenas de homens. Vivo com minha mãe e pai num campo de refugiados no norte do Iraque. Algumas de minhas irmãs ainda estão em poder de terroristas. Descobri isso só depois que consegui voltar para os meus pais. Sem carinho, amor e compreensão, encontrei num grupo de missionários a esperança de um dia ser alguém.

 

Foram eles que me levaram para uma espécie de centro de atendimento. Assim que cheguei, lavaram meus pés. Eu não pude acreditar naquilo! Como alguém que nunca tinha visto, de outra religião, pôde se ajoelhar diante de mim para lavar os meus pés? Eu estava assustada, não conseguia expressar sentimento algum. Até que após duas semanas de convívio com estas pessoas, consegui chorar. Chorei muito. Coloquei para fora toda a dor que estava presa dentro do meu peito.

 

Hoje, tenho estas pessoas como verdadeiras amigas. Elas me ensinam trabalhos manuais e já sonho poder um dia estudar e casar. Estes missionários me devolveram a ESPERANÇA.