Conquista por espaço

 

Uma aldeia pertencente ao povo Marka, uma etnia não alcançada pelo Evangelho, em 2016, após a projeção de um filme evangelístico e algumas conversas, começou a dar os primeiros frutos para o Reino. Mas as perseguições também começaram. A aldeia é imersa em práticas de feitiçaria e durante uma reunião de oração, os irmãos foram surpreendidos pelos “Máscaras” (a principal cerimônia de feitiçaria no povo Marka) que chegaram fazendo muito barulho e dizendo que eles não estavam autorizados a trazer outra religião para a aldeia. Houve bastante confusão e alguns irmãos chegaram a ser agredidos fisicamente e ficaram muito tristes e desencorajados.

Depois de um tempo de reflexão, clamor e encorajamento, foi decidido que alguns representantes da comunidade de fé iriam falar com o feiticeiro chefe.

Em visita ao líder dos feiticeiros, pedimos desculpas se, de alguma forma, ele se sentiu desrespeitado pela igreja, mas dissemos também que o ideal é haver liberdade de fé. Depois de muita conversa e explicações, ficou decidido que ninguém iria mais provocar nem interferir na reunião de ninguém. Ele pareceu compreensivo e disse que não haveria mais problemas. Porém, na prática, em toda celebração dos cristãos, algum feiticeiro sempre aparecia para ameaçar e impedir a reunião. Eles chegaram mesmo a falsificar um documento da polícia para tentar proibir a continuidade da comunidade de fé.

Embora existam casos de perseguição, o governo do país é laico. Fomos então conversar com o prefeito, que é muçulmano, para mostrar o documento e ele confirmou que era falso e que o governo não tem autoridade para proibir nenhuma manifestação religiosa.  Ele convocou uma reunião com os líderes cristãos e feiticeiros para esclarecer os fatos e disse com muita convicção que, como estamos em um país livre, eles não podem criar nenhuma barreira para qualquer religião e a liberdade deve ser respeitada.

Isso já foi ótimo, mas não parou por aí: ele disse aos líderes da aldeia que a igreja deveria ter um terreno, pois os muçulmanos e feiticeiros já tinham onde se reunir e os cristãos ainda não!

Os chefes, ainda que contrariados, doaram o terreno pois se tratava de uma ordem oficial e a hierarquia precisa ser respeitada. Mas quando o prefeito foi até essa aldeia para conferir a doação, achou que o terreno era muito pequeno e distante do centro da aldeia. Escolheu então um outro lugar maior e melhor localizado e providenciou os documentos. Ficamos gratos e maravilhados ao ver, mais uma vez, como Deus batalha pelo seu povo e reverte situações adversas! A obra é Dele e Ele usa quem Ele quer!

Gabriela Mendes
missionária na África Ocidental